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INTERVIREW TO MÁRIO PEREIRA FOR RIFF MAGAZINE (10/2000) Interview


De mansinho, o CD-EP de Eternal Mourning, 'Delusion&Dementia' entrou na minha casa. Impetuosamente, o Doom/Death com algumas influências Black Metal desta banda de Santiago do Cacém despertou a minha atenção. Existem muitas bandas a praticar este estilo na Europa e em Portugal, mas poucas delas atingem os níveis emocional, passional e musical de
'Delusion & Dementia'. Eis as palavras de Mário Pereira, uma das vozes de Eternal Mourning.

Como é que surgiu este projecto? Há quanto tempo? Têm algum registo antes deste?
A formação dos Eternal Mourning remonta ao ano de 1994. Dessa altura, na banda, apenas permaneço eu e zé (G.ritmo). Ao longo dos anos ocorreram várias alterações, quer ao nível da formação quer ao nível da própria orientação musical. Na primeira demo-tape, intitulada "My Soul's Grief", os Eternal Mourning seguiam caminhos bem próximos do tradicional Death Metal melódico; com a segunda demo, "Silent Commotions of the Soul in A minor", um universo bastante mais gótico foi abarcado. Por esta altura a banda já havia vencido quatro concursos de música moderna e participado com a faixa "Sombras do Desconhecido" na compilação Hight Radiation vol. II. Seguiu-se um período instável, em que esperámos no tempo aquele tempo que inevitavelmente tínhamos de esperar. Alguns concertos foram surgindo, com certa periodicidade, e algumas faixas foram compostas. No final do ano passado a Banda entra em estúdio e grava o EP " Delusion & Dementia". Pretendemos editar oficialmente este EP, apesar de ainda não ter-mos chegado a qualquer acordo com editoras.

«Delusion & Dementia» apresenta uma produção muito pouco usual, mesmo a nível de demo-CD's. O que vos levou a serem tão ambiciosos neste aspecto específico do vosso lançamento? Estão inteiramente satisfeitos com a produção?
A ideia sempre foi ( e é!!) a edição oficial do EP, e nunca apenas o lançamento de mais uma demo. Achámos que o material tinha potencialidades e era merecedor uma gravação digna daquilo que representava. Ficámos bastante satisfeitos com a produção, no entanto existem muitos pormenores que actualmente gostaríamos de alterar. Acho que se passa sempre assim!!, nunca é possível uma satisfação completa. No dia em que ela chegar a banda acaba!

A nível musical, «Delusion & Dementia» apresenta um Doom melódico e soberbamente adornado por uma voz feminina. Acham que atingiram, com este registo, a plenitude das vossas capacidades e encontraram o estilo ideal para Eternal Mourning, ou sentem que podem continuar a evoluir e, consequentemente, introduzir pequenas alterações na vossa sonoridade?
Obviamente que o resultado final, no seu todo, nos satisfaz !, mas sinceramente penso que podemos fazer algo mais apurado e bastante superior. Estamos satisfeitos com o que fizemos até este momento e penso que este é o nosso estilo, mas daí até pensarmos que não podemos fazer melhor vai uma grande distância. Os Eternal Mourning são uma banda que vive de emoções, como tal a nossa fonte de inspiração é barbaramente inesgotável. Penso que, com um bocadinho de sorte, ainda podemos futuramente fazer muito boa música!!!.....

No aspecto lírico, vocês também são uma banda Doom? Quer dizer, focam maioritariamente temas depressivos nas vossas letras?
O aspecto lírico, no meu ponto de vista, é tão importante quanto o aspecto musical. Um lado não se completa sem o outro!!! É como corpo sem alma!! Os Eternal Mourning sempre foram um império de tristeza e amargura, um universo onde a razão é ofuscada pela necessidade do seu próprio conhecimento. Escrevo essencialmente sobre os meus sentimentos e sobre pessoas que de alguma forma nutriram (ou nutrem) em mim esses mesmos sentimentos. Fernando Pessoa dizia " Para mim, escrever é desprezar-me; mas não posso deixar de escrever. Escrever é como uma droga que repugno e tomo, o vicio que desprezo e em que vivo". As palavras dão forma ao que sentimos, mesmo que não consigamos escrever realmente o que sentimos, mesmos que não sintamos realmente o que escrevemos!!! Mas no entanto podemos Sempre tentar, não é?? As perspectivas pessoais sobre as coisas tornam tudo muito mais motivador e original. Não é preciso ser-mos nada mais, para além de nós próprios, para não percebermos nada do que dizemos do que escrevemos ou do que pensamos. Esta ausência de conhecimento representa o expoente máximo da fonte imaginária. O inconsciente é a essência da análise concreta!, por muito abstracta que ela possa por vezes parecer. Este é o universo lírico dos Eternal Mourning, .... um mundo sem mundo!!!.... onde a dor impiedosamente reina !!!...

Vocês são seis músicos em Eternal Mourning. Quando chega a hora de compôr, não há demasiadas opiniões divergentes? Ou a composição é monopolizada, na vossa banda, por um único indivíduo?

Penso que as opiniões divergentes são sinais de vivacidade e de saúde. Nós acabamos todos por, de uma forma ou de outra, dar uma contribuição para o resultado final da composição . É justo dizer que grande parte da base musical é composta pelo Marco (Baixista), apesar de eu e os restantes elementos da banda termos um papel bastante importante na obtenção dos arranjos e da estrutura final das musicas.

Como vês a cena Death/Doom em Portugal nos dias que correm? Tem-se, na tua opinião, assistido a uma melhoria, ou estamos estagnados?
Portugal sempre foi, e será, um país de gente muito emotiva. Penso que este género musical permite extravasar essas emoções de uma forma bastante saudável e sincera. Por estas razões acho que muito dificilmente poderíamos estagnar. O que se passa é que as modas pegam e talvez por isso existam menos bandas a praticar este estilo. Para te ser sincero acho que isso é bastante bom!! Que fiquem apenas aqueles que querem ficar !!!!

E a nível de concertos, vocês são uma banda muito activa? Conseguem arranjar muitos concertos na região de onde são oriundos?
Nós gostamos muito de toda a envolvência proporcionada pelos espectáculos ao vivo! Pode-se dizer que surgem concertos com certa regularidade. Há relativamente pouco tempo tivemos a oportunidade de tocar na capela de Sines, que está a ser apenas utilizada para eventos culturais, e foi um momento bastante importante e único na vida dos Eternal Mourning. Quaisquer oportunidades que venham futuramente a existir serão recebidas com igual entusiasmo.

E quanto ao futuro? Quando podemos esperar um novo registo vosso? Já têm novos temas compostos? Como são?
Antes de voltar-mos a gravar qualquer coisa, é bastante importante para a banda editar o material já gravado. Penso que seria uma pena desperdiçar estas músicas! Já temos algumas bases compostas para futuras composições, e posso garantir que levam mais além aquilo que já havíamos feito. O processo evolutivo é constante, por isso aquilo que está feito ensina-nos qual a melhor forma de conceber o que ainda está por fazer. O estilo continuará a ser semelhante seguindo uma mesma filosofia de concepção e expressão, mas no entanto mais cuidado e ainda mais emotivo!!

Texto: Fernado Reis
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©Eternal Mourning 2001